Diário de bordo

Andar de ônibus é realmente meu maior desafio nessa história toda. Não sei se é porque Murphy me persegue, mas poxa, quantas pessoas levam 1:40h pra chegar na faculdade, saindo aqui das Graças? Pois quinta-feira eu levei uma hora e quarenta minutos do portão de casa ao portão do CAC. Daí quando chego lá, não tem aula. Me estressei mesmo e ontem fui resolver minhas coisas de carro. Depois de 4 dias, tirei meu amado querido da garagem.

Pela tarde, fui na Livraria Cultura. Se tem uma coisa que pensei logo no início desse blog  foi: não abro mão de ter meus próprios livros.  Se eu pego emprestado e gosto, acabo comprando mesmo. Mas aí, dia desses, vi na revista uma notinha sobre o novo Kindle DX. Uma fortuna, acaba com a magia do papel, da capa, mas é uma solução, né? Quem sabe daqui há alguns anos não inventam outro leitor portátil e aí a gente substitui o papel, certo? Errado. Sabiam que, de acordo com o Comitê para Democratização da Informática (CDI), o Brasil joga fora mais de 1 milhão de computadores todos os anos? E o Greenpeace diz que a quantidade de lixo produzida anualmente pelos eletrônicos descartados é de até 50 milhões de TONELADAS. Isso significa que se a gente colocar o lixo tecnológico em containers de um trem, os vagões enfileirados dariam uma volta na Terra. Será que eu preciso mesmo trocar de celular todo ano? Para onde foram todos os computadores que eu já tive nesses últimos 10 anos?

Voltando à Livraria, depois que paguei minhas compras, disse ao caixa que não precisava da sacolinha de plástico, que eu ia colocar os livros na bolsa mesmo - e olha que pago pau pra aquela sacola da Cultura. Arrumei os livros com cuidado na bolsa, enquanto o atendente me olhava com uma cara bem estranha. “Tem algum problema sair sem a sacola?” eu perguntei. “Não, não, não! Nenhum”, deu um risinho e continuou a arrumar, todo atrapalhado, a pilha de sacolas. Será que ninguém faz isso? Recusar uma sacolinha plástica?

Isso me lembrou de outra coisa: os comentários do blog. Laurinha comentou no meu post da padaria, que lá em Sevilha você paga a mais pela sacola plástica. Ela falou também que quando moramos com nossos pais, a gente não tem muita noção do quanto desperdiça. O que é uma verdade bem séria, porque aqui em casa eu sempre achei aque as reclamações de gasto de água e energia eram injustas. Aí sentei pra conversar com meu pai e nós dois concluímos que a culpa não era só minha. Ah, Cacá disse que nos encontros estudantis você pode comprar uma caneca por 1 real e assim economizar seis dias de copinhos descartáveis. E vocês, que atitudes sustentáveis vocês tem e enxergam no dia-a-dia? Contem pra a gente.

Eu vou ficando por aqui, que o post ficou enorme. Tomara que vocês leiam tudo porque quando a gente resolve viver assim, sustentavelmente, a gente começa a enxergar possibilidades de mudança em todos os lugares. Como no email que recebi do Hope, confirmando uma consulta e que trazia no rodapé a notinha: preserve a natureza, não imprima essa mensagem. Parece mesmo que o consumo consciente está em todo lugar. Mas por que, ainda assim, nos deparamos com o espanto do atendente da livraria?

Ah, repararam na quantidade de interrogações em um só post? Esse workshop sustentável está me deixando cheia de dúvidas mesmo. É complicado imaginar se ainda dá tempo, se realmente nossas atitudes ainda podem mudar essa situação. Porque gente se desdobra, mas quando sai na rua tudo continua tão igual.

Por Gabriela

3 Respostas para “Diário de bordo”


  1. 1 karla 16/05/2009 às 19:04

    sei bem como é essa cara de atendente assustado. sempre que dá eu recuso a sacolinha plástica.

    mas brasileiros são viciados em sacolinha, na minha opinião.

  2. 2 Lívia Estrella 18/05/2009 às 16:24

    É, Gab. Mas se a gente for pensar no vizinho, não fazemos nada para melhorar a situação.
    Tem que partir de nós primeiro MESMO.
    Eu sou bem chata… quase uma ecochata hahaha
    Não desperdiço energia, em hipótese alguma jogo lixo no chão… só tô devendo a coleta seletiva ainda. Porque, como minha avó passa muito mais tempo em casa do que eu, vou ter que sentar com ela e explicar timtim por timtim, porque senão não vai adiantar nada (já fiz isso): eu separando todos os materiais recicláveis e ela misturando tudo. :S
    É uma reeducação.
    =)


  1. 1 Balanço da semana – Gabi « Sobrou pra mim Trackback em 20/05/2009 às 23:33

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